Como se sabe, vinho branco deve ser tomado novo, por conta de seu frescor. É como paixão fugaz: tem de ser aproveitada quando ainda é recente, porque não se sabe quanto vai durar. Mas há exceções. Como aquele Tondonia, branco espanhol de enorme longevidade, encontrado na Lavinia, uma das melhores lojas de vinho do mundo. Já havia provado a safra de 1985 na casa de uma amiga, em Vila Velha. A vida, no entanto, é forjada pelas coincidências. A garrafa era de 1984, ano de formação de um grande grupo de amigos. Horas antes de ir à loja, na noite chuvosa de Madri, havia recebido mensagem, pelo Facebook, anunciando o reencontro do grupo, 24 anos após nossa formatura.
Nos dias seguintes, as mensagens se sucederam. Vieram acompanhadas de muitas fotos. Algumas, recuperavam encontros marcados pelo destino. Outras, traziam rostos atuais, com indefectíveis traços do tempo. Indefectíveis, não indesejáveis. Assim como ocorre com aquele vinho branco, o passar dos anos lhes fez bem. Homens e mulheres trazem agora as linhas charmosas da maturidade. Alguns também ganharam uns quilinhos, é verdade. Mas para isso os amigos nem ligaram (amigos têm essa impressionante capacidade de enxergar qualidades e rir de falhas de pouca importância...).
Havia, porém, dois pontos em comum tanto nas fotos dos últimos dias quanto nas de duas décadas e meia atrás: o brilho no olhar e o sorriso aberto, retrato irretocável da alegria. Lamentei não ter ido à reunião. Bem, de certa forma, participei dela, revisitando o passado e vendo a felicidade de quem se sentou em torno das taças de chope do Giovanetti - um dos mais bem tirados de São Paulo e companhia constante de minha juventude. Curiosa essa sensação de visitar um ciclo, fechado pelo tempo e aberto 24 anos depois com o prazer de quem destampa uma garrafa rara. Reencontros devem mesmo ser festejados, porque nos revigoram, mostram como estamos ativos e, por que não?, vivendo novos ciclos. Neste final de semana, por exemplo, estarei, junto com uma confraria especial, na casa da amiga que me apresentou o Tondonia. Celebraremos nosso encontro, viveremos nosso ciclo, brindaremos à amizade, esse sentimento por muitos tratado como algo superior ao amor. Porque amores são intensos, todos sabemos. Amizades, no entanto, são perenes. Amizade, como já foi dito, é amor que nunca morre... A turma reunida em Campinas é grande prova disso.
Havia, porém, dois pontos em comum tanto nas fotos dos últimos dias quanto nas de duas décadas e meia atrás: o brilho no olhar e o sorriso aberto, retrato irretocável da alegria. Lamentei não ter ido à reunião. Bem, de certa forma, participei dela, revisitando o passado e vendo a felicidade de quem se sentou em torno das taças de chope do Giovanetti - um dos mais bem tirados de São Paulo e companhia constante de minha juventude. Curiosa essa sensação de visitar um ciclo, fechado pelo tempo e aberto 24 anos depois com o prazer de quem destampa uma garrafa rara. Reencontros devem mesmo ser festejados, porque nos revigoram, mostram como estamos ativos e, por que não?, vivendo novos ciclos. Neste final de semana, por exemplo, estarei, junto com uma confraria especial, na casa da amiga que me apresentou o Tondonia. Celebraremos nosso encontro, viveremos nosso ciclo, brindaremos à amizade, esse sentimento por muitos tratado como algo superior ao amor. Porque amores são intensos, todos sabemos. Amizades, no entanto, são perenes. Amizade, como já foi dito, é amor que nunca morre... A turma reunida em Campinas é grande prova disso.

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